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Greve da educação: desgaste do governo e união de diferentes grupos políticos

Enfrentando diversos questionamentos da oposição e da base aliada, além de atos em todo país, o governo enfrentou a sua primeira greve nacional. O cientista político Guilherme Carvalhido, em entrevista à Sputnik Brasil, fez um balanço das manifestações que tomaram conta do país em 15 de maio.

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Estudantes, professores e pais de alunos se reuniram em atos em todos os estados do país, marcando a primeira greve nacional enfrentada pelo governo Bolsonaro.

O cientista político e professor da Universidade Veiga de Almeida, Guilherme Carvalhido, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que o grande desgaste do presidente foi o fato de que as manifestações foram capazes de unir diferentes grupos políticos, inclusive pessoas que votaram em Bolsonaro. 

"Quando você tem uma manifestação desse porte, ou seja, em mais de 200 cidades, em todos os Estados e Distrito Federal, isso demonstra que houve uma organização política em relação a algo que não está satisfazendo parte da opiniao pública. Isso porque a questão da educação é um elemento central da sociedade, mexe numa parte das pessoas que tem uma relação e uma importância que tem no cotidiano delas, e isso conforme a gente viu ontem, unir diversos grupos políticos, desde a esquerda até grupos que votaram em Bolsonaro, mas são contra os cortes na educação", analisou. 

De acordo com o Guilherme Carvalhido, houve também uma união de grande parte do Congresso, principalmente dos partidos do chamado Centrão, que junto com os partidos da oposição, conseguiram convocar o ministro da Educação para prestar esclarecimentos na Câmara sobre o bloqueio de verbas das universidades federais. 

"Foi de fato uma derrota para o governo", destacou o cientista político.

"O governo está mexendo em um ponto que transpassa diversos setores da sociedade, não só os setores de esquerda, o que pode ser um grande desgaste, e isso ficou claro no Congresso Nacional, quando foi convocado o ministro para falar às pressas sobre esse assunto", afirmou. 

Pelo menos 228 cidades registraram protestos contra a redução dos gastos públicos com educação nesta quarta-feira (15). As manifestações foram convocadas pelas redes sociais após decisão do Ministério da Educação de bloquear 24,84% dos recursos esperados em 2019 para universidades, institutos técnicos e escolas sob administração do governo federal.

Em viagem aos Estados Unidos, o presidente Jair Bolsonaro comentou os primeiros protestos de massa desde a posse do novo governo e classificou os manifestantes como "idiotas úteis" e "massa de manobra".

FONTE: Sputnik Brasil
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