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Telescópio de '2 olhos' superpotentes desvenda aparecimento de flashes na Lua

FOTO: © astrogalaxy1.narod.ru

Telescópio de '2 olhos' superpotentes desvenda aparecimento de flashes na Lua

Flashes misteriosos que, às vezes aparecem na Lua, surgem após colisões de micrometeoritos com a superfície do satélite da Terra.

Da Sputnik News Brasil

 

Eis a conclusão dos cientistas que discursaram na Conferência anual de planetologia DPS na cidade de Provo, EUA.

"O nosso telescópio tem dois 'olhos' – um olha para a Lua em luz visível, outro a vigia em infravermelho. Combinando as fotos, pela primeira vez conseguimos medir a temperatura da superfície da Lua nos locais onde aparecem estes pontos escuros. Estes dados vão nos ajudar a medir a densidade dos corpos celestes que geram estes flashes e entender como eles surgiram. Eram asteroides ou cometas? Estamos tentando desvendar essa questão", declarou Chrysa Avdellidou, planetóloga da Agência Espacial Europeia.

Nos últimas décadas, cientistas de todo o mundo vigiam ativamente os asteroides perto da Terra, realizando "censo" espacial entre eles para entender quão perigosos esses corpos celestes são para a humanidade. Há tantos asteroides ao redor da Terra que astrônomos tiveram que criar uma graduação especial para avaliar a possibilidade de eles caírem no nosso planeta.

Apesar da quantidade gigantesca de asteroides descobertos nos últimos anos com ajuda de telescópios terrestres e observação terrestre orbital WISE, muitos asteroides grandes e uma quantidade enorme de corpos celestes menores do tamanho do meteorito de Chelyabinsk que caiu na Terra em 2013 são desconhecidos por nós.

 

Para resolver esse problema, a Agência criou o projeto NELIOTA, no âmbito do qual, o telescópio de 1,2 metro, instalado no observatório Krioneri na Grécia, foi modernizado para observar asteroides que cercam nosso planeta. Para isso, os engenheiros e astrônomos da agência instalaram câmaras muito rápidas de alta resolução, que são capazes de captar vestígios da queda de objetos maiores na superfície da Lua.

Estas observações, explica Avdellidou, ajudaram os astrônomos a revelar o segredo dos microflashes misteriosos que, de vez em quando, surgem na Lua e que são visíveis para as sondas na órbita terrestre e telescópios potentes na Terra.

Como mostraram as medições do NELIOTA durante os flashes na Lua, a superfície do satélite natural atinge até 2.726º Celsius. A colisão de micrometeoritos e asteroides com a superfície da Lua é a única opção que se encaixa no nascimento das luzes.

A massa desses corpos celestes na verdade não é grande – algumas centenas de gramas ou uns quilogramas. Os tamanhos típicos dessas "pedras celestes", segundo astrônomos, ainda não podem ser medidos, pois os telescópios NEOLITA registraram somente duas dezenas de luzes, o que não é bastante para calcular a sua densidade e os tamanhos exatos.

 

Os astrônomos acham que esses flashes podem ser do tamanho de uma pedra arredondada habitual na Terra com densidade bastante alta ou do tamanho do meteorito de Chelyabinsk com composição parecida a de cometas de gelo.

Novos dados recolhidos pelo NEOLITA neste ano, como esperam Avdellidou e seus colegas, ajudará a encontrar a resposta a essa questão e a entender do ponto de vista físico como as colisões dos asteroides com a Lua geram aqueles sinais luminosos fortes fixados pelos astrônomos já durante muitos anos na superfície do satélite da Terra.

FONTE: SPUTNIK NEWS BRASIL
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