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Após dois dias, vizinha que presenciou agressão contra mulher em sacada de apartamento consegue registrar denúncia de violência | Paraná


“Hoje [segunda, 21] colheram o meu depoimento, fizeram toda a descrição, eu consegui descrever todos os fatos e apareci como testemunha”, disse ela.

No dia da agressão, os vizinhos chamaram a polícia, porém, não conseguiram registrar o boletim de ocorrência. O suspeito não foi preso.

O vídeo mostra o homem sentado na sacada do apartamento e uma mulher no chão. Primeiro, ele puxa o cabelo dela e, depois, pisa na perna, com força, várias vezes.

A gravação mostra que a mulher se arrasta para dentro do imóvel, mas o agressor vai atrás e dá vários chutes nela. Ele vai e volta da sacada e os chutes se repetem diversas vezes.

Segundo moradores do bairro, o agressor já se envolveu em outros episódios semelhantes. Desta vez, os gritos foram tão altos que puderam ser ouvidos pelos moradores dos prédios vizinhos.

Agressor já teve comportamento semelhante outras vezes, relatam vizinhos — Foto: RPC Curitiba

Agressor já teve comportamento semelhante outras vezes, relatam vizinhos — Foto: RPC Curitiba

As imagens foram gravadas pelo químico ambiental, Pedro Duarte, que mora no prédio em frente. Ele relata que o agressor disse que ia matar a vítima e que parecia estar bastante alterado. Pedro chegou a gritar da janela tentando cessar as agressões.

Mariana Bazzo é promotora do Direito da Mulher e alerta que é dever de qualquer cidadão interferir em casos de violência doméstica – um das principais causas de mortes violentas de mulheres no país.

“No caso de agressões físicas, já é consolidado que, mesmo sem a vítima se manifestar, qualquer pessoa pode e deve comunicar a polícia e os órgãos responsáveis pela investigação, pela prisão em flagrante”, afirma a promotora.

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Além da Lei Maria da Penha, desde março de 2020, uma lei estadual obriga síndicos a denunciar casos ou indícios de violência contra mulheres, crianças, adolescentes e idosos. Quem não cumprir a lei, pode ser multado.

“Diz que aquela história de briga de marido e mulher eu não meto a colher, isso vai doer no meu bolso, então eu denuncio. Esse é o meu dever como cidadão, mas a lei vem aprimorar isso”, pontuou Marcos Antônio da Cunha Araújo, vice-coordenador da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência.

Para quem tenta proteger as vítimas, como a vizinha que demorou mais de dois dias para conseguir registrar a denúncia, a resposta precisa ser mais rápida.

“Muito mais agilidade para que não tenha consequências piores em relação às vítimas”, afirmou ela.

O agressor mora em um apart hotel. Em nota, o estabelecimento disse que os policiais conversaram com o agressor, mas que a vítima já tinha ido embora. O hotel afirmou ainda que repudia qualquer tipo de agressão.

A Polícia Militar informou que a equipe policial não encontrou a vítima no local e que nenhuma testemunha quis assinar o boletim de ocorrência. Por isso, foi feito apenas o registro da ocorrência e orientações.

A PM não informou se os policiais tiveram acesso ao vídeo que comprovava as agressões que ocorreram minutos antes.

A Polícia Civil informou que está fazendo diligências para esclarecer o fato e que nos casos em que outras pessoas presenciam o crime, não é feito um boletim de ocorrência, e sim o chamado procedimento de informação: quando não há dados de vítimas, nem suspeitos.

Nesse caso, são colhidos depoimentos e outras informações para investigação. Segundo a polícia, o procedimento de informação só pode ser feito de segunda a sexta-feira.



Fonte: G1


22/03/2022 – Rota do Sol FM

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