NOTÍCIAS


Caso Leandro Bossi: veja linha do tempo, o que se sabe e o que falta esclarecer | Paraná


  • Compartilhe no WhatsApp
  • Compartilhe no Telegram

Confira a linha do tempo dos acontecimentos que envolvem o caso, o que se sabe e o que falta esclarecer.

Fevereiro de 1992: Leandro Bossi desaparece

Leandro desapareceu em 15 de fevereiro de 1992, quando tinha sete anos. O menino foi visto pela última vez no show do cantor Moraes Moreira, em uma praia de Guaratuba.

A mãe de Leandro trabalhava em um hotel da cidade, o pai era pescador. Ambos estavam trabalhando no momento do desaparecimento e quando notaram o sumiço da criança, acionaram a polícia local.

Na época nenhum indício foi encontrado, e Leandro Bossi entrou na lista do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (SICRIDE).

6 abril de 1992: Evandro Ramos Caetano desaparece

Dois meses depois do desaparecimento de Leandro, o menino Evandro Ramos Caetano, de seis anos, desaparece em Guaratuba, no dia 6 de abril de 1992. Os dois meninos e os respectivos desaparecimentos tinham características semelhantes.

Evandro estava com a mãe, Maria Caetano, funcionária de uma escola municipal de Guaratuba, e disse a ela que iria voltar para casa após perceber que havia esquecido o mini-game. O menino nunca mais retornou.

Evandro Ramos Caetano desapareceu no trajeto entre a casa e a escola, em Guaratuba. Evandro e Leandro tinham características em comum. — Foto: Reprodução/RPC

Evandro Ramos Caetano desapareceu no trajeto entre a casa e a escola, em Guaratuba. Evandro e Leandro tinham características em comum. — Foto: Reprodução/RPC

11 de abril de 1992: corpo de Evandro é encontrado em matagal

Após um corpo ser encontrado em um matagal do dia 11 de abril de 1992, o pai de Evandro, Ademir Caetano, afirmou à época no Instituto Médico-Legal (IML) de Paranaguá ter reconhecido o filho, por meio de uma pequena marca de nascença nas costas.

  • Caso Evandro: criança desaparecida, suposto ritual macabro e torturas, sete acusados; relembre a história

O corpo foi encontrado por lenhadores que passavam pela região e perceberam a presença de urubus. Conforme informações da época, ele estava sem o couro cabeludo, olhos, pele do rosto, partes dos dedos dos pés, mãos, com o ventre aberto e sem os órgãos internos.

Próximo ao corpo, foram encontradas as chaves de casa do menino. Alguns dias depois, próximo ao local onde esse corpo foi localizado, as equipes encontraram um par de chinelos quase limpos, possivelmente do garoto. Porém, um dos chinelos foi perdido durante o colhimento das provas.

À época, cinco pessoas confessaram o crime: Beatriz e Celina Abagge, Osvaldo Marcineiro, Vicente de Paula Ferreira e Davi dos Santos Soares. As confissões foram registradas em fitas de áudio e vídeo. Anos depois, em 2020, as fitas originais se tornaram públicas, indicando que as gravações usadas na investigação foram editadas.

Fevereiro de 1993: ossada é encontrada no mesmo matagal onde estava corpo de Evandro

Em fevereiro de 1993, crianças encontram uma ossada no mesmo matagal onde o corpo de Evandro Ramos Caetano havia sido encontrado. Entre a ossada estavam roupas que foram reconhecidas como sendo de Leandro Bossi.

O material foi encaminhado para um exame de DNA.

Março de 1993: laudo atesta que ossada não era de Leandro

Em março de 1993, os exames de DNA feitos em laboratório privado de Minas Gerais, com a tecnologia que era disponível até então, e afirmam que a ossada encontrada não era de Leandro Bossi, mas sim de uma menina.

A informação foi anexada ao inquérito sobre o desaparecimento de Leandro.

1996: menino de Manaus afirma ser Leandro Bossi

Em 1996 um menino encontrado em Manaus é reconhecido por João Bossi como sendo o filho Leandro. A criança é trazida até Guaratuba e convive mais de duas semanas com a família.

Encontrado em Manaus, menino é reconhecido como Leandro Bossi e convive por um tempo com a família. Exame de DNA dá resultado negativo e criança identificada como Diogo Moreira Alves volta com a mãe biológica. — Foto: Reprodução/RPC

Encontrado em Manaus, menino é reconhecido como Leandro Bossi e convive por um tempo com a família. Exame de DNA dá resultado negativo e criança identificada como Diogo Moreira Alves volta com a mãe biológica. — Foto: Reprodução/RPC

Porém, um exame de DNA mostra que o menino não era Leandro Bossi, nem possuia ligação genética com a família. O menino foi identificado como Diogo Moreira Alves e devolvido à mãe biológica.

1998 a 2011: julgamentos do caso Evandro

Durante anos, não houve qualquer nova informação para a família Bossi, e Leandro era considerado pela autoridades policiais uma criança desaparecida.

Contudo o caso Evandro tramitou judicialmente. Desde os anos 1990, caso Evandro teve cinco julgamentos diferentes. O primeiro foi realizado em 1998 e foi o mais longo da história do judiciário brasileiro, com 34 dias.

Na época, Beatriz e Celina Abagge, mãe dela, foram inocentadas. O MP recorreu, e um novo júri foi realizado em 2011.

Celina e Beatriz Abagge, foram acusadas de serem as responsáveis pela morte de Evandro. — Foto: Reprodução/Globoplay

Celina e Beatriz Abagge, foram acusadas de serem as responsáveis pela morte de Evandro. — Foto: Reprodução/Globoplay

Beatriz, a filha, foi condenada a 21 anos de prisão. A mãe não foi julgada porque, por estar com mais de 70 anos, o crime havia prescrito.

Os pais de santo, Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos Soares e Vicente de Paula, também foram condenados, na época, pelo sequestro e homicídio do garoto.

Vicente de Paula morreu por complicações de um câncer em 2011 no presídio onde estava. As penas de Osvaldo Marcineiro e Davi dos Santos se extinguiram pelo cumprimento.

2018: criação do podcast “Caso Evandro”

Em 2018 o jornalista Ivan Mizanzuk lançou o podcast “Caso Evandro”, contando a história desaparecimento do menino. O podcast se tornou um dos mais ouvidos do país e virou livro e série do Globoplay.

Em 2020 o podcast apresentou as fitas de confissão usadas para embasar o processo do caso. As fitas apresentadas por Mizanzuk não estavam editadas e mostravam os acusados recebendo instruções para confessar os crimes.

A partir dessas fitas, pareceres técnicos apontaram que houve tortura durante a confissão dos condenados pela morte do garoto Evandro Ramos Caetano.

Após essas novas provas, foi realizado um pedido de revisão criminal das condenações dos três pela morte de Evandro.

Celina e Beatriz Abagge, esposa e filha do então prefeito da cidade, Aldo Abagge  — Foto: Reprodução/RPC

Celina e Beatriz Abagge, esposa e filha do então prefeito da cidade, Aldo Abagge — Foto: Reprodução/RPC

O Governo do Paraná fez um pedido de desculpas oficial para Beatriz Abagge, uma das condenadas, pelo que o estado definiu como “sevícias indesculpáveis” sofridas por ela à época da investigação do caso.

  • Caso Evandro: ‘A gente foi ao inferno e voltou para contar a história’, diz artesão que foi acusado de participar do crime
  • Caso Evandro: Pai de santo acusado de participar do crime em Guaratuba afirma ser inocente e que ‘trama diabólica’ não vai mais afetá-lo

Meses depois, inspirada pelo podcast e pela série, a Secretaria de Estado de Justiça, Família e Trabalho do Paraná (Sejuf) criou um grupo de trabalho para identificar falhas no processo e investigação do desaparecimento e morte de Evandro.

Conforme a secretaria, o objetivo do grupo de trabalho é detectar falhas, o encaminhamento do relatório à Justiça sobre violações dos direitos humanos e supostas injustiças, além da criação de medidas para proteção das crianças.

Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos e Vicente de Paula foram condenados pelo homicídio de Evandro Ramos Caetano. — Foto: Reprodução/RPC

Osvaldo Marcineiro, Davi dos Santos e Vicente de Paula foram condenados pelo homicídio de Evandro Ramos Caetano. — Foto: Reprodução/RPC

2021: fragmentos de ossos são enviados para novo teste de DNA

Quase 30 anos após o desaparecimento de Leandro Bossi, oito fragmentos de ossada foram enviados para comparação com o material genético de oito mães de crianças desaparecidas, entre elas Paulina Bossi, mãe de Leandro.

A decisão de refazer os testes atendeu a diretrizes de um programa do Governo Federal que tem como objetivo formar um banco de dados capaz de auxiliar na identificação de pessoas desaparecidas em todo o país.

Junho de 2022: exame comprova que ossada é de Leandro Bossi

Trinta anos após o desaparecimento de Leandro Bossi, em 10 de junho de 2022, o Governo do Estado do Paraná afirmou que a ossada analisada corresponde ao material genético do menino.

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) informou que a amostra é a mesma que teve resultado negativo e foi classificada como sendo de menina na década de 90. Essa amostra, segundo o secretário Wagner Mesquita, estava no Instituto Médico-Legal (IML) do Paraná.

Caso Leandro Bossi: Sesp diz que amostra de osso analisada é de ossada achada em 1993

Caso Leandro Bossi: Sesp diz que amostra de osso analisada é de ossada achada em 1993

Conforme o perito responsável pela análise, foi comprovada 99,9% de compatibilidade da amostra analisada com o material coletado da mãe de Leandro. O material foi submetido a um teste de DNA mitocondrial, mais avançado do que o feito em março de 1993.

Com as conclusões do novo exame, o nome de Leandro Bossi foi retirado da lista de crianças desaparecidas no estado.

João Bossi, pai de Leandro, faleceu em 2021 sem respostas do que aconteceu com o filho. — Foto: Reprodução/Caso Evandro

João Bossi, pai de Leandro, faleceu em 2021 sem respostas do que aconteceu com o filho. — Foto: Reprodução/Caso Evandro

De acordo com o secretário de segurança pública do estado, as conclusões do novo exame permitem afirmar que os restos mortais são de Leandro mas perguntas consideradas fundamentais no caso ainda não foram respondidas.

Ainda não se sabe qual teria sido a motivação do crime e de quem seria a responsabilidade pela morte do menino.

  • Caso Leandro Bossi: Irmão questiona confirmação da morte 30 anos após desaparecimento: ‘Quem matou?’

*Com colaboração de Mariah Colombo, assistente de produtos digitais do g1 Paraná.

VÍDEOS: mais assistidos do g1 Paraná



Fonte: G1


13/06/2022 – Rota do Sol FM

SEGUE A @ROTADOSOLFM

(45) 3287-1475

rotadosolfm@hotmail.com
Boa Vista da Aparecida – PR
Rua Celmo Miranda, 802 – Alto da Colina

NO AR:
ROTA SERTANEJA