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Cerca de 5 mil bebês que nasceram no Paraná em 2022 não têm o nome do pai na certidão de nascimento | Paraná


Entre janeiro e agosto de 2022 nasceram no Paraná 96.861 bebês. Destes, 4.614 não tem o nome do pai na certidão de nascimento, de acordo com dados do Instituto do Registro Civil das Pessoas Naturais do Estado do Paraná. O número representa 4,76%. Veja vídeo acima.

Desde 2020 o número de pais ausentes nunca foi tão grande no Paraná. No referido ano, a porcentagem era de 4,45%.

Quando eles faltam são as mães solo – que por definição, são aquelas que são as únicas responsáveis pelos filhos – que precisam se multiplicar.

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O Brasil tem mais de 11 milhões de mulheres como únicas responsáveis pela criação e sustento dos filhos.

“Bateu a tristeza, é mãe. Mas daí bateu a alegria, é mãe. Tem que sair, é mãe. Tudo tem o sobrenome mãe, assim”, afirmou a publicitária e mãe solo Vivian Mortean.
“Quando eu vi me sozinha, eu pensei: cara, eu mereço essa situação. Pra mim foi difícil entender, conseguir elaborar o que estava acontecendo, conseguir entender que não era uma culpa. Não era um castigo”, explicou Vivian.
Certidão de nascimento, nome do pai, nome da mãe, registro civil, cartórios, reconhecimento paternidade — Foto: Divulgação/Anoreg-PR

Certidão de nascimento, nome do pai, nome da mãe, registro civil, cartórios, reconhecimento paternidade — Foto: Divulgação/Anoreg-PR

Além de enfrentarem a criação dos filhos em tempo integral, muitas mães solo também precisam encarar os desafios do desemprego. Dados do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que em 62% desses lares, a pobreza bate à porta.

Uma a cada dez mulheres do país, uma não tem emprego. Um índice quase 55% maior do que o de homens sem trabalho. Enquanto 11,7% mulheres não tem emprego, 7,5% homens estão desempregados de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de agosto de 2022.

“Teve um dia que eu me vi sem dinheiro nenhum, meio do mês já não tenho dinheiro pra pagar conta. E aí teve um dia em que eu só chorando, peguei a Marina no colo, coloquei uma música e comecei a dançar com ela. […] Eu acho que foi um dos momentos mais singelos da minha vida, assim. Eu estava chorando de tristeza por não ter dinheiro pra pagar conta. E na sequência eu comecei a chorar de alegria porque eu tinha esse relacionamento com a minha filha, que me dava força pra ter dinheiro e pagar conta. É uma linha tênue ali, entre um e outro”, afirmou Vivian.

É uma rotina que exige novos arranjos. E pra não se perder entre tantas tarefas, muitas mães são salvas pelas redes de apoio. Vivian decidiu ser mãe solo da Marina, mas já sabia que para traçar esse caminho, precisaria de ajuda.

“Foi a partir da minha vulnerabilidade que eu consegui me conectar com as pessoas, mostrar esse meu lado que todo mundo tem. E as pessoas olharam pra mim, cara, me identifico, eu também sou vulnerável. Isso me fez criar essa rede de apoio, essa sinceridade pra outra pessoa, falar: eu não aguento mais”, afirmou Vivian.

O desafio de, sozinhas, criar vidas por inteiro leva as mães ao limite, segundo a psicóloga Franciele Colpani. Ela afirma que é necessário mudar o pensamento de que “mulher dá conta de tudo”.

“Há que se repensar essas funções acumuladas. Principalmente haver uma mudança desse pensamento da sociedade de que a mulher que dá conta de tudo isso está de parabéns, porque na verdade, no fundo, ninguém dá conta”, explicou a psicóloga.

Reconhecimento de paternidade

Desde 2012, não é mais preciso uma decisão judicial para o reconhecimento de paternidade.

Quando a iniciativa é do próprio pai, e a mãe ou o filho concordarem, bastar ir até um cartório. Se o pai não quiser fazer o reconhecimento, a mãe pode indicá-lo no próprio cartório para que o processo de reconhecimento seja iniciado na Justiça, conforme explicou o defensor público Fernando Rodrigues.

“No caso das mães que não podem custear advogado, defesa jurídica, judicial, quando necessário. A defensoria é o órgão do estado que tem como função prestar essa assistência jurídica, que assim a gente chama. Que pode ser desde uma tentativa de mediação pra composição extrajudicial para que essa mãe entre em contato com o indicado pai, pra que possa ser feito o reconhecimento de paternidade. Ou caso haja recusa dessa pessoa como indicado pai, ela pode ingressar com ação” explicou o defensor público Fernando Rodrigues.

ONG acolhe mães solo em Curitiba

Em Curitiba, as mães que são chefes de família recebem apoio da ONG Solidárias Festinhas, que atua em 12 comunidades carentes.

“A nossa intenção não é vir julgar elas, porque elas são mães solo, a quantidade de filhos que ela tem, o que fez elas morarem em uma comunidade onde é difícil saneamento. a nossa intenção é acolher elas, que elas saiam daqui desse encontro com sonhos, porque as vezes elas pararam de sonhar faz tempo, já. que elas possam mudar realmente a vida delas”, disse a presidente da ONG Solidárias Festinhas, Fernanda de Oliveira.

E as mães solo, com fé nas sementes plantadas, também colhem a realização dos próprios sonhos.

“Quando a gente vê os filhos crescidos indo pra frente e vê que não ficou aquele vazio, que não ficou aquele buraco, que a gente conseguiu preencher, não tem nada melhor, é fascinante”, Fabiane.

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Fonte: G1


11/09/2022 – Rota do Sol FM

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