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Controladoria Geral da União faz operação contra superfaturamento em obras públicas no Paraná


A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quinta-feira (10), 25 mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre superfaturamento de obras públicas e lavagem de dinheiro. Os investigados são servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) de cinco estados, incluindo o Paraná.

As buscas foram autorizadas pela 14ª Vara da Justiça Federal, de Curitiba. Além do Paraná, foram cumpridos mandados em Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso.

A investigação teve respaldo de informações que constam em relatório de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU).

Um servidor do Dnit, que ocupou cargo na direção nacional e regional, foi preso temporariamente, e outros cinco servidores do mesmo órgão foram afastados das funções. Todos tiveram os bens bloqueados.

Segundo as investigações, os suspeitos se beneficiaram de um esquema de corrupção, que incluiu desvio e superfaturamento de obras, além de lavagem de dinheiro.

A investigação que respaldou a operação desta quinta foi iniciada em 2015, mas acredita-se que os crimes tenham sido cometidos há 10 anos.

Controladoria Geral da União faz operação contra superfaturamento em obras públicas no Paraná — Foto: Reprodução/RPC

Controladoria Geral da União faz operação contra superfaturamento em obras públicas no Paraná — Foto: Reprodução/RPC

Um dos contratos, de R$ 700 milhões, referente à duplicação de um trecho da BR-163, que passa pelo Paraná, pode ter gerado aos envolvidos R$ 60 milhões em propina, aponta a investigação.

O trecho a ser duplicado, que tem suspeita de ações fraudulentas, é um desejo antigo de motoristas que transitam entre Cascavel e Marmelândia, no oeste e sudoeste do estado.

Segundo a ordem de serviço, a obra foi iniciada em 2016 e deveria ter terminado em setembro de 2017.

A obra da BR-163 prevê a duplicação de 74 quilômetros de rodovia, mas, até o momento, pouco mais de 30 quilômetros de duplicação foram liberados para os veículos. Ou seja, mesmo após vários anos do início da obra, os motoristas não têm acesso nem a metade da duplicação que já deveria estar concluída.

A rodovia é uma das mais importantes do país, são mais de 3,5 mil quilômetros de extensão entre o Rio Grande do Sul e o Pará. Nela, os veículos de carga e de passeio disputam espaço em uma pista em péssimas condições.

O caminhoneiro Giovano Silva mora em Chapecó (SC) e viaja toda semana para o Mato Grosso. Segundo ele, paradas forçadas para conferir a carga são comuns quando ele passa pela BR-163, perto de Cascavel.

“Está bem crítico a estrada aí, bastante buraco. As obras começadas e não finalizadas, bastante dificuldade para passar nesse trajeto aí”, diz.
Veículos de carga e de passeio disputam espaço em uma pista em péssimas condições — Foto: Reprodução/RPC

Veículos de carga e de passeio disputam espaço em uma pista em péssimas condições — Foto: Reprodução/RPC

Ao lado da pista antiga, existe uma nova, mas que em muitos trechos não está liberada porque falta pintura e sinalização.

Segundo a PRF, por causa da obra, os poucos pontos de ultrapassagem no trecho foram retirados para segurança dos motoristas. O motivo é que com a falta de manutenção da pista, o risco de acidentes aumenta.

“O atraso nas obras acaba criando um gargalo logístico e acaba repreendendo esse grande fluxo de veículos e também sobrecarrega a pista antiga que já foi construída com tecnologia de muitos anos atrás e não tem preparo para suportar as novas configurações de veículos de carga que trafegam pelo local”, afirma o policial rodoviário Ricardo Salgueiro.

Conforme o Dnit, 84% da obra está concluída. Foram investidos mais de R$ 590 milhões. Para a conclusão ainda são necessários R$ 152 milhões.

Sobre o atraso, o departamento reconheceu que não tem dinheiro suficiente para concluir a duplicação e disse que a péssima situação da rodovia é por causa das chuvas, que atrapalharam os trabalhos de manutenção.

Em relação à operação, o Dnit informou que tem conhecimento das investigações e está colaborando com a apuração dos fatos para adotar medidas administrativas contra os servidores envolvidos no caso.

Além disso, afirmou que está em permanente contato com os órgãos de controle e reafirmou que a atuação do órgão é pautada pela legalidade e pelos princípios da administração pública.

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Fonte: G1


10/02/2022 – Rota do Sol FM

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