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Curitibano que estava na Ucrânia relembra invasão russa, sirene e alerta de auto-falante: 'começou a guerra'


Um curitibano que estava na Ucrânia no momento da invasão russa relembrou os momentos de tensão para deixar o país do leste europeu pela fronteira com a Polônia. Albanir Roberto Szymanski disse que um alerta sonoro de um auto-falante da cidade onde estava informou que a guerra tinha começado.

Szymanski já trabalhou no Coritiba, mas mora na Polônia há alguns anos. Ele contou que estava na Ucrânia com outros jogadores para uma pré-temporada.

O treinador lembrou que ouvia as falas do presidente russo Vladimir Putin, na televisão, afirmando que não iria invadir a Ucrânia.

Diante do aumento das tensões, ainda antes da entrada das tropas da Rússia, ele e o time resolveram sair da cidade em que estavam para um município que está próximo da fronteira da Polônia, na região de Lviv.

Em 24 de fevereiro, dia da invasão da Rússia na Ucrânia, Szymanski conta que acordou com os avisos de um auto-falante que está instalado na igreja da cidade.

“Estávamos em nove brasileiros. A informação foi uma coisa muito triste. Bem pela manhã, uma sirene muito forte e, provavelmente, o padre falava duas palavras que na tradução para o português significam ‘começou a guerra, começou a guerra’, disse.
Bandeira ucraniana hasteada no centro da cidade de Lviv — Foto: Pavlo Palamarchuk/Reuters

Bandeira ucraniana hasteada no centro da cidade de Lviv — Foto: Pavlo Palamarchuk/Reuters

O treinador lembra que, depois da invasão, uma movimentação começou e o grupo recebeu orientações para apagar as luzes e ficar longe de janelas.

Os brasileiros do grupo de Szymanski começaram a tentar contato com a Embaixada do Brasil na Ucrânia, mas não conseguiram. Diante disso, tomaram a decisão de irem até a fronteira da Polônia.

“No início a gente já percebeu muitos carros na estrada. Tentamos abastecer, mas todos os postos de combustível tinham uma fila muito grande”, contou.

A viagem entre a região de Lviv até a fronteira com a Polônia deveria durar no máximo duas horas. Entretanto, diante do fluxo, os brasileiros demoraram 12h para chegarem ao local.

Pessoas se aglomeram para cruzar a fronteira entre Polônia e Ucrânia — Foto: Arquivo pessoal

Pessoas se aglomeram para cruzar a fronteira entre Polônia e Ucrânia — Foto: Arquivo pessoal

Para Szymanski, o momento mais delicado foi na aproximação da fronteira, onde o grupo viu diversas pessoas abandonando os próprios carros e seguindo a viagem a pé.

“Existe hoje uma situação muito pior. No dia que nós passamos, sentimos uma falta de organização da fronteira, porque eles não estavam preparados para isso. Os soldados estavam tentando organizar, buscando a diplomacia, mas nesse exato momento começa a acontecer confronto, invasão e agressividade”, lembrou.

O treinador disse ainda que existe uma prioridade de entrada na Polônia, o que atrasa o processo. Primeiro, passam mulheres e crianças. Além disso, ele afirmou que os ucranianos têm preferência de acesso em relação aos estrangeiros.

Szymanski contou ainda que presenciou cenas de despedidas entre as famílias, já que o governo ucraniano proibiu que homens entre 18 e 60 anos deixem o país, por causa da guerra.

“Às vezes um pai, uma mãe e um filho tinham que se despedir ali. No portão, tinham que tomar uma decisão, se ficaria toda a família unida ou se alguns passariam. Era despedida, choro, lamentação. Uma situação muito desagradável.”

O treinador gravou uma entrevista para o PodParaná contando mais detalhes sobre a saída da Ucrânia. Ouça o programa completo abaixo.

Andrew Traumann, professor de Relações Internacionais, doutor em História e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas do Oriente Médio (Gepom), explica que as tensões no leste europeu começaram ainda na década de 1990.

Para o professor, o estopim para a invasão foi a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que é uma aliança militar entre Estados Unidos e vários países da Europa, e a possibilidade da entrada da Ucrânia no grupo.

“Esse processo se acelerou muito a partir do 11 de setembro, durante o governo do presidente norte-americano George W. Bush, que estimulou essa expansão. A gente percebe como que a Rússia ficou geopoliticamente cercada. A questão da Ucrânia foi como se fosse uma linha vermelha”, explicou.

Traumann disse ainda que, na visão russa, Putin resolveu agir preventivamente, pois entende como inadmissível a entrada da Ucrânia na Otan, já que a Rússia passaria a estar cercada militarmente.

O professor também descarta a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, por causa do conflito. Para ele, os países da Otan não devem entrar em combate armado contra a Rússia.

“A Otan e os Estados Unidos não vão se arriscar em uma guerra por causa da Ucrânia. O uso de armas nucleares é um grande fator de dissuasão, porque ninguém quer pagar para ver”, disse.



Fonte: G1


01/03/2022 – Rota do Sol FM

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