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Dentista que atende crianças é multado por choro de pacientes: ‘Pediram para eliminar o barulho’


Um odontopediatra de Curitiba foi multado pelo condomínio comercial onde trabalha, no Centro Cívico, por conta do choro dos pacientes que ele atende – a maioria é de crianças com necessidades especiais.

A multa contra Edson Higa foi expedida em 7 de fevereiro, mas o caso ganhou repercussão neste mês após o dentista divulgar imagens da penalidade. Na última sexta-feira (8), uma manifestação favorável ao profissional foi realizada na capital. Leia mais abaixo.

“É uma tristeza muito grande porque, na realidade, fere meu direito de trabalhar. É um absurdo. Eu estou sem entender até agora como que pessoas fazem isso. O que eu sinto é que elas são intolerantes e eu fico extremamente triste de não poder executar meu direito de atender crianças com necessidades especiais”.
Multa foi expedida no dia 7 de fevereiro — Foto: Arquivo pessoal

Multa foi expedida no dia 7 de fevereiro — Foto: Arquivo pessoal

O valor da multa expedida foi de R$ 332,66, valor da taxa condominial. O documento diz que, em caso de reincidência, o valor pode ser multiplicado por 10.

Segundo Higa, antes de ser multado, ele foi notificado em 9 de dezembro de 2021. Na ocasião, o condomínio alegou que o barulho e o choro das crianças extrapolavam “o limite do seu imóvel”.

Na notificação, assinada pela síndica, é solicitado que o dentista tome providências para “diminuição ou eliminação do barulho”. O documento solicitou, também, que ele fizesse isolação acústica do consultório, o que ele afirma ter acatado.

“Eu acatei os pedidos que me fizeram. Contratei uma empresa pra fazer a acústica. Mas são crianças, um choro ou outro vai acabar sendo ouvido. Quando eu fiz o isolamento do ambiente, mandei documentos comprovando, inclusive assinados por um engenheiro. Mesmo assim fui multado”.

O g1 questionou a administração do prédio sobre o caso, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.

Ainda de acordo com Higa, no dia em que foi multado, ele estava atendendo uma criança com paralisia cerebral. Ele lembra que o paciente chorou e que, ao ouvir o barulho, um vizinho bateu diversas vezes na janela do consultório. Na hora, o dentista estava com um bisturi na mão.

“Podia ter acontecido algo grave […] Quando isso aconteceu, eu liguei para a gerência do prédio e reclamei. Depois, recebi a multa”.

Com a repercussão do caso, pacientes do dentista e Organizações Não-Governamentais (ONGs) de diversas áreas realizaram um protesto pacífico na frente do condomínio onde Higa tem consultório. Ele começou a trabalhar no local há cerca de seis meses.

Manifestação ocorreu na frente do prédio onde Higa trabalha e, também, em ruas do Centro Cívico — Foto: Arquivo pessoal

Manifestação ocorreu na frente do prédio onde Higa trabalha e, também, em ruas do Centro Cívico — Foto: Arquivo pessoal

“É bom frisar que essa sala é minha. Eu nunca vi isso em 30 anos de carreira. É de uma falta de respeito, falta sensibilidade. Não só comigo, mas com os meus pacientes”, disse.

Quando recebeu a primeira notificação, no final de 2021, Higa disse que procurou o Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR). A partir da multa, ele disse que voltará a procurar o conselho para pedir auxílio.

O dentista também disse, que por orientação jurídica, não pagou a multa.

Na terça-feira (12), o caso chegou à Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai) da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

O órgão informou que oficiou o Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítima de Crimes (Nucria), da Polícia Civil, pedindo a investigação do caso.

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Fonte: G1


13/04/2022 – Rota do Sol FM

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