NOTÍCIAS


Diretor do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu é afastado após recomendação do MP que apontou irregularidades na gestão | Oeste e Sudoeste


O diretor do Hospital Municipal de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, o médico Amon Mendes, foi afastado após recomendação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) que apontou uma série de irregularidades na gestão da fundação municipal de saúde. Veja vídeo acima.

Em nota a prefeitura informou que acatou a recomendação em comum acordo com Amon e que ainda nesta semana um novo nome será indicado para a pasta. Em rede social, a mulher do médico afirmou que situação é “humilhante”. Veja notas completas mais abaixo.

Conforme o MP, a recomendação foi enviada após declarações feitas por funcionários de uma empresa que presta serviços de ortopedia e traumatologia para a fundação que demonstraram irregularidades, como problemas na limpeza de centros cirúrgicos e esterilização de equipamentos.

Em uma das imagens que constam na recomendação, mostra uma mosca que foi morta dentro da sala cirúrgica do hospital. Veja imagem abaixo.

Imagens recebidas pelo MP mostram mosca morta em centro cirúrgico do hospital  — Foto: Reprodução RPC

Imagens recebidas pelo MP mostram mosca morta em centro cirúrgico do hospital — Foto: Reprodução RPC

Além disso, equipes denunciaram também a falta de equipamentos para usar durante cirurgias e a baixa qualidade de alguns dos materiais usados nos procedimentos. Alguns quebraram durante o uso, segundo o MP. Veja imagem abaixo.

A baixa qualidade fez com que equipamentos quebrassem durante o uso, segundo o MP — Foto: Reprodução RPC

A baixa qualidade fez com que equipamentos quebrassem durante o uso, segundo o MP — Foto: Reprodução RPC

O MP apontou ainda na recomendação irregularidades no pagamento de R$ 250 mil, referentes a horas extras para funcionários que não excederam o horário de serviço.

De acordo com o documento do Ministério Público no dia 9 de junho deste ano, a Fundação Municipal de Saúde suspendeu o contrato de seis empresas que atuavam na ortopedia. Isso teria provocado a interrupção do serviço de assistência médica de urgência e emergência.

Outro reflexo foi o cancelamento de atendimentos agendados no poli ambulatório nas especialidades de ortopedia e traumatologia por causa da falta de médicos. Essa quebra de contrato determinada pelo então diretor da fundação, foi considerada ilegal.

O MP apontou também o fato de o médico Amon ter acumulado, de forma irregular, as funções de diretor técnico e também presidente da Fundação Municipal de Saúde.

 Amon Mendes foi afastado após recomendação do MP — Foto: Reprodução RPC

Amon Mendes foi afastado após recomendação do MP — Foto: Reprodução RPC

Além do aumento da divida da fundação, que após deficit de quase R$ 8 milhões no primeiro trimestre deste ano , passou de R$ 135 milhões para mais de R$ 143 milhões em apenas três meses, conforme o MP.

A recomendação considerou também atrasos no pagamento de fornecedores como motivos para pedir o afastamento temporário do médico da função de diretor presidente da Fundação Municipal de Saúde e a intervenção na entidade.

Para concluir, o MP afirmou que houve a demonstração de graves e repetidas falhas de planejamento e governança, que culminaram na piora da assistência prestada aos usuários.

Sobre a intervenção na entidade, a prefeitura tem um prazo de 20 dias para dar uma resposta ao MP.

Justiça suspendeu recomendação anterior

Em março deste ano, o MP já havia encaminhado recomendação de intervenção na fundação municipal de saúde à prefeitura. Porém a Justiça decidiu suspender o pedido por 90 dias.

Neste período, algumas medidas deveriam ser adotadas, como melhora na gestão e atendimento do hospital municipal. O prazo venceu na última segunda-feira (20).

Com o prazo vencido, o MP voltou a recomendar a intervenção e também pediu o afastamento do diretor da fundação.

No final do prazo o médico Amon elaborou um relatório de 52 páginas, onde citou melhorias na gestão do hospital realizadas desde que assumiu o cargo, em setembro de 2021, para ser encaminhado ao MP.

O médico citou a difícil realidade do hospital quando assumiu, e disse que adotou medidas para reduzir o custo mensal do hospital, que era de 18 milhões de reais, para manter o orçamento dentro dos repasses feitos pela prefeitura.

Segundo o médico “considerando a necessidade urgente de providenciar um cenário mais positivo da fundação em relação a todas as suas nuances, foi necessária a adoção de medidas de austeridade envolvendo corte de custos, com a implementação de novos fluxos internos e implantação de meios tecnológicos,” diz relatório.

Ele finalizou o documento dizendo que pontos analisados demonstram que a gestão cumpriu de forma satisfatória as diretrizes solicitadas pelo ministério público.

“Foram adotadas todas as medidas possíveis e cabíveis para atender aos referidos pontos além do estabelecido, o que, em alguns casos, de fato foi possível, bem como em outros se verificarão ainda maiores melhorias no decorrer dos próximos meses,” diz o documento.

Não foi suficiente para mante-lo no cargo. Após o anuncio do afastamento, Amon Mendes desabafou em uma rede social com um texto escrito pela esposa dele.

“Acontece que para alguém íntegro passar por uma situação de afastamento por um órgão que fiscaliza corrupção e supostamente a qualidade do atendimento de saúde oferecido aos usuários do sus, enquanto se dedica incansavelmente ao melhor, é humilhante,” diz a publicação.

Através de nota, a prefeitura de Foz do Iguaçu agradeceu o trabalho do médico na instituição e confirmou o afastamento, informando que foi em comum acordo com Amon.

Uma reunião na quinta-feira (23) com integrantes do conselho curador da Fundação Municipal de Saúde deverá definir um novo nome para assumir o cargo de diretor presidente.



Fonte: G1


22/06/2022 – Rota do Sol FM

SEGUE A @ROTADOSOLFM

(45) 3287-1475

rotadosolfm@hotmail.com
Boa Vista da Aparecida – PR
Rua Celmo Miranda, 802 – Alto da Colina

NO AR:
CONEXÃO 107