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'Entrou batendo em todo mundo', diz vítima sobre abordagem de guardas investigados por tortura contra moradores de Londrina


Vítimas de um caso de tortura contra moradores de Londrina, no norte do Paraná, relataram algumas das situações vividas, em 2021, durante uma abordagem de guardas municipais. Os 11 servidores suspeitos foram afastados da função, na sexta-feira (4), após determinação da Justiça.

Conforme o Ministério Público do Paraná (MP-PR), os guardas municipais são investigados criminalmente por invadirem a casa das vítimas sem mandado judicial. Além disso, os moradores afirmam ter sido torturados durante a ação policial.

“Eles atiraram para cima e falaram: ‘olha o seu mandado aqui’. Entrou batendo em todo mundo. Me bateu na minha cozinha. […] Deu uma cacetada na minha cabeça e um tapa, em que eu quase caí em cima dela e do menino”, contou uma das vítimas.
  • 11 guardas municipais de Londrina são denunciados por tortura, abuso de autoridade e outros crimes após abordagem

Diante dos indícios dos crimes de tortura, abuso de autoridade, denunciação caluniosa e falsidade ideológica de documento público, o MP-PR pediu na ação civil pública que os agentes fossem afastados liminarmente das funções.

“A hora que eu vi já estavam batendo no meu marido. Minha irmã, eu vi ela levando um tapa de um lado, levando tapa de outro. Minha filha levou uma cacetada, que foi a hora que eu fui tentar correr para ajudar”, contou uma vítima que não quis se identificar.
Casa onde caso ocorreu, em Londrina — Foto: Arquivo pessoal

Casa onde caso ocorreu, em Londrina — Foto: Arquivo pessoal

O secretário de Defesa Social, tenente-coronel Pedro Ramos, disse que o município cumpriu com a determinação da Justiça, e os guardas foram afastados do cargo.

Nesse período de afastamento, os servidores continuam recebendo salário da prefeitura, conforme prevê a legislação.

O MP-PR pede ainda à Justiça que, no julgamento do mérito, sejam aplicadas as sanções previstas na lei de improbidade administrativa, como perda da função pública, pagamento de multa civil e suspensão dos direitos políticos.

Pelos mesmos fatos, os réus respondem também a um processo criminal.

A defesa dos guardas municipais disse que aceita, mas não concorda com a determinação da Justiça. Por isso, ao receber a intimação, recorrerá da decisão.

Além disso, informou que toda sociedade londrinense sofrerá as consequências desta decisão, pois são 11 guardas extremamente competentes, todos com alto grau de conhecimento e ótimo comportamento dentro da instituição.

Guarda Municipal Londrina — Foto: Guarda Municipal/Londrina

Guarda Municipal Londrina — Foto: Guarda Municipal/Londrina

De acordo com a investigação, em 18 de julho de 2021, os agentes públicos foram fiscalizar uma ocorrência de perturbação de sossego no Parque das Indústrias.

Na ocasião, sem ordem judicial, entraram na casa, torturaram e agrediram os cinco moradores, segundo o Ministério Público. Quatro deles eles eram mulheres, sendo uma delas adolescente.

O MP-PR relata na ação que os guardas submeteram as vítimas “a intenso sofrimento físico e mental, com emprego de violência, a fim de aplicar castigo pessoal. Tal violência consistiu em golpes de cassetetes, chutes, eletrochoques, tapas, socos e disparo de arma de fogo para o alto, em via pública, além de grave ameaça de atirar contra os moradores”.

Além disso, conforme Ministério Público, tudo ocorreu como retaliação à atitude legítima de uma das vítimas de tentar evitar a entrada dos guardas, de forma ilegal, na casa dela.

A investigação aponta ainda que depois dos crimes cometidos no local, os guardas “com o objetivo de justificar e legitimar a prisão e ação violenta que se realizaram contra os ofendidos”, fizeram uma denúncia falsa, conforme o MP-PR.

De acordo com a ação, na falsa denúncia apresentada, os investigados alegaram desacato à autoridade, ameaça e infração de medida sanitária, com o objetivo de abrir um inquérito policial, o qual levou três das vítimas à prisão.

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Fonte: G1


08/03/2022 – Rota do Sol FM

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