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Estiagem aumenta prejuízos de agricultores do Paraná: 'Pretendemos continuar, mas está difícil'


A falta de chuvas está trazendo preocupações e danos para agricultores no Paraná. O prejuízo das lavouras do estado até o fim de 2021 era de R$ 10 bilhões, segundo a Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).

De acordo com dados do Departamento de Economia Rural, vinculado à secretaria, as perdas já somam 16 bilhões de reais no estado em 2022.

O DERAL informa que da estimativa inicial dessa safra, que era de 21 milhões de toneladas de grãos, devem ser concretizadas apenas 8 milhões de toneladas.

Os agricultores dizem que o rendimento da lavoura de soja, de quarenta sacas por hectare, não deve pagar nem os custos de produção. Para eles o ideal seria colher de 80 a 90 sacas por hectare.

Estiagem aumenta perdas no campo paranaense. — Foto: Reprodução

Estiagem aumenta perdas no campo paranaense. — Foto: Reprodução

Segundo a Secretaria da Agricultura do Paraná, esta é uma situação que se repete com outras produções e em todo o Paraná.

O agricultor Wilson Moreira é produtor de grãos, batata, trigo e cevada em Contenda, a cerca de 30 quilômetros de Curitiba. A produção dele foi afetada pela seca que se intensificou no início do ano. Segundo Moreira, o seguro rural não cobre todo o prejuízo.

“Em novembro, já começou a estiagem. Choveu um pouco, no final de dezembro e em janeiro. Depois, parou de chover, novamente. Então, a situação é bem ruim. Tem áreas que estão verde, tem áreas que estão terminando, mas a preocupação é grande. Acho que vou perder pelo menos 50%. Você não sabe se programa o próximo plantio porque não sabe se vai ter dinheiro pra pagar a safra”, lamenta o agricultor.
O agricultor Wilson Moreira mostra efeitos da estiagem na plantação da família. — Foto: Reprodução

O agricultor Wilson Moreira mostra efeitos da estiagem na plantação da família. — Foto: Reprodução

Para tentar minimizar os impactos desse cenário, a Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil, com apoio do CREA, apresentou ao governo federal uma série de propostas para ajudar os produtores.

“Este manifesto já foi apresentado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. São apresentadas soluções possíveis a curta, médio e longo prazo, que passam pela liberação de crédito, tanto emergencial quanto de custeio para novas lavouras, quanto para aquisição de sistemas de irrigação, adoção de práticas conservacionistas de solo e água, pensando não apenas como soluções imediatas, mas também ações preventivas”, afirma Thyago Giroldo Nalim, gerente regional do CREA/Pr.

O documento sugere 31 medidas como liberação de crédito emergencial, apoio técnico para implantação de sistemas de irrigação e estabelecimento de políticas agrícolas para manejo do solo. O governo federal não deu um prazo para dar retorno sobre o tema.

Enquanto os produtores aguardam um retorno do governo federal, os estragos já são visíveis nas plantações paranaenses.

De acordo com o agricultor Wilson Moreira, a falta de água fez com que grãos de soja crescessem de maneira irregular na lavoura da família. Segundo ele, alguns nem chegaram à fase madura.

“Se você olhar, até parece um grão bem formado, mas é um grão leve. E ele está muito irregular, com grãos grandes e outros pequenos. E com isso, fica mais leve e não dá peso na hora de fazer a venda na cooperativa”, explica Moreira.

O agricultor conta que o milho foi a produção mais afetada, já que necessita de bastante água. De acordo com ele, algumas espigas nem renderam grãos.

“Na hora do enchimento dos grãos a chuva não veio. Choveu no início, mas, depois, durante o crescimento do grão no pé, faltou. Eu ainda não colhi o milho, mas acredito que o resultado não vai ser bom. Era para as espigas estarem totalmente cheia de grãos, mas, em algumas delas, os grãos não se formaram”, diz o agricultor enquanto mostra uma espiga na qual brotaram apenas dois grãos de milho.

Por conta da estiagem em algumas espigas de milho os grãos não se formaram. — Foto: Reprodução

Por conta da estiagem em algumas espigas de milho os grãos não se formaram. — Foto: Reprodução

Essa não é a primeira safra do agricultor afetada pela estiagem. Em 2021 ele também registrou perdas. Apesar disso, Moreira conta que nunca havia passado por uma seca tão grande quanto essa.

“Na safra passada, dos três plantios, a gente perdeu apenas o do meio. Este ano, afetou todas as etapas do plantio, então, foi mais difícil. Só que no ano passado, os preços estavam melhores e os custos mais baixos”, pondera.

“Mesmo que eu use a melhor tecnologia, o que há de mais moderno em insumo, se faltar chuva, não resolve nada”, completa.

Para somar ainda mais os prejuízos um dia antes da colheita da soja, ocorreu uma chuva de granizo na propriedade do agricultor que reduziu ainda mais a produção. Em tempos normais, dois caminhões estariam trabalhando no transporte da colheita do grão. Este ano, foi preciso apenas um.

Para Moreira o rendimento da lavoura de soja, de quarenta sacas por hectare, provavelmente não será suficiente para pagar os custos de produção. — Foto: Reprodução

Para Moreira o rendimento da lavoura de soja, de quarenta sacas por hectare, provavelmente não será suficiente para pagar os custos de produção. — Foto: Reprodução

Tiago Moreira, filho do agricultor, também trabalha na lavoura e lamenta o que vê na hora da colheita. “Além da produção fraca e sem uniformidade, essa chuva de granizo derrubou metade dos grãos que tinham vingado. Eles ficaram espalhados pelo chão”.

Tiago pretende tocar os negócios do pai, mas sabe que o sucesso da produção depende também de um quesito que não está ao alcance dele. “Pretendemos continuar, mas está difícil, com esse clima”.

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Fonte: G1


27/02/2022 – Rota do Sol FM

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