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Mulheres são maioria entre bolsistas, mas participação cai na coordenação de pesquisas no Paraná


As mulheres são maioria entre os estudantes de pós-graduação do Paraná que recebem bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, a Capes, fundação vinculada ao Ministério da Educação. Do total de 5.780 bolsistas, 3.496 (60,5%) são mulheres.

No estado, a presença de mulheres ainda é maior do que no cenário nacional. No Brasil, de 76.825 bolsas, 44.654 (58,1%) são para mulheres.

Mas, quando se trata de mulheres na coordenação de projetos financiados pela Capes no Paraná, o percentual é menor. De 19 pesquisas, elas estão à frente de 8 (42%).

Nas ciências exatas, que abrangem áreas como ciências da computação e engenharias, o número de homens bolsistas é 16% maior que o de mulheres.

Daniela Moraes Leme e Carolina Prando atuam como pesquisadoras que desenvolvem projetos inovadores no Paraná e são inspiração para meninas e mulheres que pensam em seguir carreira na Ciência.

Médica coordena pesquisa de doenças raras

A médica Carolina Prando coordena o Serviço de Imunologia do Hospital Pequeno Príncipe (HPP), maior hospital exclusivamente pediátrico do país.

Ela também é coordenadora de um grupo de pesquisa em genética de doenças raras do sistema imunológico, no Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe. Na mesma instituição, é diretora de medicina translacional.

“A medicina translacional busca aproximar a ciência básica da clínica. Vai da bancada para a beira do leito, levando, com maior rapidez, os conhecimentos adquiridos na pesquisa básica para o benefício das pessoas que precisam desse conhecimento. Nós identificamos quais são os problemas, as dificuldades da prática clínica, que precisam e podem ser resolvidos pela pesquisa básica”, explica a médica.

Para Eliane Maria Fudal, o trabalho da doutora Carolina foi essencial pra descobrir a doença do filho, Bryan, de 5 anos. Até os quatro anos de idade, ele sofria com infecções recorrentes.

“Não melhorava com antibiótico em casa. Mesmo no hospital, quando ele ficou, era sempre bem difícil pra tratar essas doenças”, conta a mãe.

O diagnóstico veio com um exame realizado pela equipe de Carolina Prando, no laboratório do Instituto, onde as mulheres são maioria na equipe: 71% . O resultado do exame mostrou que o menino tinha a Doença Granulomatosa Crônica (DGC), que impede o organismo de se defender de fungos e bactérias.

“É uma doença que, se eu não faço a identificação e controle e encaminho para o transplante, elas vão morrer por conta das infecções”, afirma Prando.

Com o diagnóstico, Bryan pode receber o tratamento adequado e, no ano passado, fez o transplante de medula óssea. Hoje, ele está curado.

“Eu sou eternamente grata à doutora Carolina, porque ela participava, passava na visita e sempre dava aquele apoio. Ver o Bryan hoje bem é graças a eles”, comemora a mãe.

No laboratório coordenado pela professora Daniela Moraes Leme, no Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a equipe trabalha, principalmente, no desenvolvimento de pele artificial para analisar a segurança de produtos.

“A gente determina os efeitos de toxidade pra depois ver questões de concentrações que podem ser utilizadas com segurança no produto frente ao efeito apresentado”, detalha a pesquisadora.

Dos dez bolsistas do laboratório, nove são mulheres. Uma delas é a Juliana Varela Cruz, de 26 anos, estudante de doutorado em Ciências Farmacêuticas. Ela trabalha com testes de dois produtos, um álcool em gel mais sustentável e um desinfetante de longa duração, que pode ser útil em contextos de pandemia.

“Depois que eu faço a construção da pele, que é o processo de desenvolvimento, a gente aplica de maneira tópica na pele artificial e consegue fazer testes pra avaliar se houve sensibilização, irritação na pele”, explica.

De acordo com Daniela Leme, o incentivo para que mulheres estejam inseridas em pesquisas científicas está crescente, com uma presença feminina maior em áreas como biologia e toxicologia, por exemplo. Para ela, a criação de prêmios ajuda a melhorar a qualificação de mulheres para que tenham, cada vez mais, posições melhores.

“Eu acho que precisa se ter um estímulo maior na parte de pesquisa e desenvolvimento, tanto da ciência básica como aplicada. Aqui, eu estou fazendo uma ciência mais aplicada, mas muito do que eu faço aqui necessito na ciência básica. Então, esse incentivo de desenvolvimento de profissionais qualificados, do ponto de vista de pesquisa, eu acho que isso favoreceria a inserção de mulheres nessas outras áreas também”, conclui.

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), os homens ainda são maioria entre os professores de pós-graduação. Dos 2.098 docentes, 61% são homens e 39%, mulheres. Mas entre os bolsistas o número de mulheres já ultrapassa o de homens. Elas são 1.585 (51%) e eles somam 1.451 (48%).

Camila Silveira é especialista em Divulgação Científica, atua como professora do Departamento de Química da UFPR e coordena o projeto de extensão Meninas e Mulheres nas Ciências, que busca incentivar a participação feminina nas ciências, incluindo a manutenção na carreira.

De acordo com ela, há um efeito chamado de “tesoura” na academia, que representa essa dificuldade de avanço das mulheres na carreira.

“Em algumas áreas específicas, mesmo na base da pirâmide acadêmica, ainda temos poucas estudantes. E, naquelas em que as mulheres são maioria na base da pirâmide, elas vão diminuindo conforme vamos avançando nas carreiras, principalmente quando olhamos para os cargos mais altos. A liderança feminina é algo que precisamos alcançar, buscando uma maior participação das mulheres em Comitês de Assessoramento, Presidências de Sociedades Científicas, Reitorias, Pró-Reitorias, por exemplo”, argumenta.

Para mudar o cenário atual, a pesquisadora acredita que, além dos incentivos que já existem, é preciso criar políticas públicas de incentivo para a participação feminina nas Ciências.

“É algo que necessitamos com urgência, além de práticas educativas que promovam a busca pela equidade de gênero e ampliação de repertório sobre mulheres cientistas para a população em geral também pode ser uma estratégia para minimizar estereótipos de gênero. Precisamos falar sobre o tema de forma abrangente e agir de modo a modificar as estruturas sociais e da carreira científica”, complementa a professora.

Primeira engenheira negra do Brasil era paranaense

A edição desta sexta-feira (18) do PodParaná conta a história da primeira engenheira negra do Brasil: Enedina Alves Marques, formada em 1945 pela UFPR.

No episódio, acadêmicas afirmam que ela abriu caminhos na época, para as mulheres e para os negros, na universidade e nas ciências exatas.

Porém, as entrevistadas citam que ainda hoje há barreiras e preconceitos e que é preciso incentivos e estímulos ao ingresso de mulheres na ciência. Ouça:

Veja os vídeos mais assistidos do g1 PR:



Fonte: G1


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