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'Não normalize a barbárie': Moradores de Curitiba protestam e pedem justiça pela morte de Moïse


Nos cartazes, os manifestantes pediam justiça por Moïse, para que se pare de matar homens e mulheres pretos, alertavam para a normalização da barbárie e que vidas negras importam.

“Nós migramos com os nossos direitos aqui para o Brasil, então, tudo isso tem que ser respeitado. Moïses morreu hoje por desrespeito por ser imigrante, por ser congolês. Mas, amanhã, pode ser eu”, disse Gloire Nkialulendo, presidente da Associação de Africanos de Curitiba (Bomoko).

O congolês Richard longo afirmou que ele e outros imigrantes querem crescer com o Brasil. “A gente não está aqui no Brasil para tomar o lugar de ninguém. A gente está aqui para estudar, pra crescer junto com o país. Pagamos os nossos impostos, ajudamos o país a crescer.”

Moïse Kabagambe, de 24 anos, foi morto na segunda-feira (24). Ele trabalhava por diárias em um quiosque na Barra da Tijuca. Segundo a família, Moïse foi vítima de uma sequência de agressões após ter cobrado dois dias de pagamento atrasado. O corpo foi achado amarrado em uma escada.

Três suspeitos foram presos. Entenda o que se sabe sobre o crime mais abaixo.

Manifestação Justiça por Moise, em Curitiba — Foto: Victor Hugo/RPC

Manifestação Justiça por Moise, em Curitiba — Foto: Victor Hugo/RPC

Manifestação Justiça por Moise, em Curitiba — Foto: Elcio Branco/RPC

Manifestação Justiça por Moise, em Curitiba — Foto: Elcio Branco/RPC

O protesto em Curitiba começou por volta das 17h e foi organizado por coletivos de defesa da população negra e de periferia.

A seguir, veja o que se sabe sobre o caso:

  1. O que Moïse fazia no Rio?
  2. Qual seria a motivação do crime?
  3. Há imagens de câmeras de segurança? O que elas mostram?
  4. O que aconteceu depois?
  5. O que disse a mãe do congolês?
  6. O que dizem testemunhas?
  7. Qual foi a causa da morte de Moïse?
  8. O dono do quiosque onde Moïse trabalhava e foi morto foi ouvido?
  9. O que fez a polícia até agora?
  10. Quem são os presos?

1. O que Moïse fazia no Rio?

Moïse veio para o Brasil em 2014 com a mãe e os irmãos, como refugiado político, para fugir da guerra e da fome. Ele trabalhava por diárias em um quiosque perto do Posto 8, na Barra da Tijuca.

2. Qual seria a motivação do crime?

A família diz que o responsável pelo quiosque estava devendo dois dias de pagamento para Moïse e que, quando o congolês foi cobrar, foi espancado até a morte. Imagens de câmeras de segurança mostra uma briga entre o congolês e outros homens que estavam no quiosque.

Em um vídeo, um dos envolvidos, Aleson de Oliveira, diz que Moïse e um senhor, que segundo ele seria do quiosque ao lado, estavam brigando, quando ele e os amigos foram defendê-lo.

“Ele teve um problema com um senhor do quiosque do lado, a gente foi defender o senhor e infelizmente aconteceu a fatalidade dele perder a vida”, disse.

3. Há imagens de câmeras de segurança? O que elas mostram?

Sim, há imagens do quiosque Tropicália, onde Moïse trabalhava, e de um condomínio na Avenida Lúcio Costa, por onde dois agressores teriam fugido. Ambas estão sendo analisadas.

As imagens do quiosque mostram que as agressões começaram depois de uma discussão entre um homem que segura um pedaço de pau e o congolês, que mexe em objetos do quiosque como uma cadeira, um refrigerador e um cabo de vassoura.

Depois que Moïse solta os objetos, se aproximam mais dois homens. Na sequência começa a sessão de agressões. Em vários momentos é possível ver que o congolês não oferecia resistência enquanto levava golpes com um pedaço de madeira.

4. O que aconteceu depois?

Segundo o primo da vítima, os agressores foram embora e o gerente continuou trabalhando normalmente.

5. O que disse a mãe do congolês?

Ivana Lay está inconformada com o crime e disse que a violência foi motivada por racismo. Ela disse esperar por justiça.

6. O que dizem testemunhas?

Testemunhas disseram que Moïse apanhou de 5 homens e confirmaram que os agressores usaram pedaços de madeira e um taco de beisebol.

7. Qual foi a causa da morte de Moïse?

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que a causa da morte foi traumatismo do tórax, com contusão pulmonar, causada por ação contundente.

O documento diz ainda que os pulmões de Moíse tinham áreas hemorrágicas de contusão e também vestígios de broncoaspiração de sangue.

8. O dono do quiosque onde Moïse trabalhava e foi morto foi ouvido?

Sim, ele foi ouvido na tarde de terça-feira (1º) na Divisão de Homicídios do Rio. A defesa do dono do quiosque afirma que ele não conhece o homem que afirmou ter agredido o congolês e nem os outros que aparecem no vídeo de segurança do estabelecimento agredindo Moïse.

O dono do quiosque também negou que havia dívidas do quiosque com Moïse. Segundo sua defesa, ele estava em casa quando o congolês foi espancado e apenas um funcionário do estabelecimento estava no local no momento das agressões.

9. O que fez a polícia até agora?

A Delegacia de Homicídios da Capital, que investiga o caso, analisou as imagens das câmeras de segurança para tentar esclarecer o crime. Pelo menos 12 pessoas já foram ouvidas e três homens foram presos pelas agressões e morte de Moïse (veja abaixo quem são).

A polícia também apreendeu uma arma usada no crime: uma barra de madeira, que tinha sido descartada em um mato perto do local do crime, segundo a polícia.

Três homens foram presos pela morte de Moíse na terça-feira (1º). Eles deverão responder por homicídio duplamente qualificado — com impossibilidade de defesa e uso de meio cruel. O processo corre em sigilo.

Nesta quarta-feira (2), a juíza Isabel Teresa Pinto Coelho Diniz, do Plantão Judiciário da capital, decretou a prisão temporária do trio, a pedido do Ministério Público.

“A prisão temporária é espécie de medida cautelar que visa assegurar a eficácia das investigações para, posteriormente, possibilitar o fornecimento de justa causa para a instauração de um processo penal. Não se trata de prisão preventiva, obedecendo a hipóteses diversas, sendo uma espécie de prisão cautelar ainda mais restrita”, diz um trecho da decisão da magistrada.

  • Fábio Pirineus da Silva, o Belo, que segundo a polícia, confessou que deu pauladas no congolês. Ele estava escondido na casa de parentes em Paciência, na Zona Oeste;
  • Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, o Dezenove, que admitiu ter participado das agressões, mas disse que “ninguém queria tirar a vida dele”. Ele se apresentou à polícia na 34ª DP e depois foi levado para a DH;
  • Brendon Alexander Luz da Silva, o Tota, que segundo a polícia aparece no registro das agressões imobilizando Moïse no chão.
Moïse Kabagambe, morto após cobrar diárias atrasadas em um quiosque na Barra da Tijuca  — Foto: Reprodução/ TV Globo

Moïse Kabagambe, morto após cobrar diárias atrasadas em um quiosque na Barra da Tijuca — Foto: Reprodução/ TV Globo



Fonte: G1


05/02/2022 – Rota do Sol FM

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