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Paranaense preso por tráfico de drogas na Tailândia não tem relação com outros dois brasileiros detidos, diz advogado


O paranaense Jordi Vilsinski Beffa, de 23 anos, preso por tráfico internacional de drogas na Tailândia, não conhece os outros dois brasileiros também detidos por esse crime no mesmo dia e aeroporto. A informação foi divulgada, na quarta-feira (23), pelo advogado da família, Petrônio Cardoso.

A defesa disse que, apesar das coincidências dos casos, os investigados pelo país asiático não têm nenhum tipo de ligação.

“Ele não conhece a Mary Hellen, que foi a menina presa, que é lá de Minas Gerais. Nem sabemos quem é o outro rapaz. […] Os amigos do Jordi aqui não conhecem e nunca ouviram falar dessa moça”, disse.
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Beffa e os outros dois brasileiros foram presos após serem flagrados com 15,5 quilos de cocaína nas bagagens, ao desembarcarem no aeroporto de Bangkok, do dia 14 de fevereiro.

Jordi Vilsinski Beffa, de Apucarana, é um dos três brasileiros presos na Tailândia por suspeita de tráfico de drogas — Foto: Arquivo pessoal

Jordi Vilsinski Beffa, de Apucarana, é um dos três brasileiros presos na Tailândia por suspeita de tráfico de drogas — Foto: Arquivo pessoal

A embaixada brasileira na Tailândia avisou, nesta quarta-feira, que uma videochamada foi negada pelas autoridades locais. A justificativa foi a quarentena a que os presos são submetidos devido a pandemia.

A família do paranaense está preocupada, pois nem sabia a respeito da viagem internacional. Os pais dele descobriram a prisão por mensagens que Jordi trocou com amigos.

“A mãe está em desespero total, o pai com o coração dilacerado nessa situação. No nosso entendimento houve uma cooptação desse jovem na venda de uma ilusão de uma viagem paradisíaca, em um país maravilhoso que é a Tailândia, com ganho de dinheiro fácil e rápido, e infelizmente trabalhou como mula para os verdadeiros traficantes”, disse o advogado.

Segundo as autoridades tailandesas, Jordi levava 6,5 quilos de cocaína escondidos em duas malas. A Tailândia é um dos países onde o tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte, dependendo da quantidade de droga e das circunstâncias.

Jordi e os pais, antes do jovem viajar para a Tailândia — Foto: Arquivo pessoal

Jordi e os pais, antes do jovem viajar para a Tailândia — Foto: Arquivo pessoal

O paranaense trabalhava com carteira assinada como operador de máquinas em uma fábrica de roupas e máscaras, em Apucarana, havia três anos. Ele pediu demissão do local três dias antes da viagem.

O advogado disse ainda que o jovem também terminou um namoro de quase um ano antes de viajar para a Tailândia.

“Ele nunca teve nenhuma passagem policial. Não registrando nenhum tipo de antecedente ou envolvimento com consumo de drogas, e de repente vem uma notícia apavorante dessa”, contou Cardoso.

Em entrevista à RPC, o advogado disse que acredita em uma condenação aproximada de 5 anos ao jovem, que é uma das penas mínimas.

Porém, conforme a defesa, só deve ser possível tentar trazê-lo de volta ao Brasil após o caso ser julgado, o que deve ocorrer em até dois anos, devido a processos represados na Tailândia, por causa da pandemia.

Procurados pelo g1, os pais do rapaz de Apucarana estão muito abalados com a notícia e não quiseram dar entrevista.

Segundo o advogado, os pais dele, a mãe de 64 anos e o pai de 65 anos, não sabiam da viagem internacional, já que o jovem saiu de casa no dia 11, dizendo que viajaria para Balneário Camboriú, em Santa Catarina.

“Ele pediu perdão aos pais, pediu orações porque é uma família muito religiosa. Pediu para que os pais rezassem por ele e fizessem aquilo que fosse possível”, contou Cardoso.

Jordi avisou que havia sido detido por meio de áudio enviado a amigos. Em uma das mensagens, trocadas com amigos em áudio e texto, Beffa pediu que os amigos cuidassem da família dele, caso não consiga “voltar”. Ouça o áudio, abaixo.

“Qualquer coisa, cuida dos meus aí. Tá bom. Obrigado, irmão. Abraço. Não vou sair dessa”, disse.

Além de Jordi, os outros dois brasileiros presos na mesma data são a jovem Mary Hellen Coelho Silva, de 21 anos, moradora de Pouso Alegre (MG) e um homem, de 27 anos, que não teve o nome e nem a cidade de origem divulgados.

Brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas manda áudio a amigos

Brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas manda áudio a amigos

O Itamaraty informou que, por meio da embaixada de Bangkok, acompanha a situação e presta assistência aos brasileiros.

Em uma das conversas, o brasileiro pediu que o amigo cuidasse da mãe dele e comentou não saber se vai conseguir voltar.

  • Jordi: “Cuida da minha mãe irmão. Eu peguei o celular aqui rápido”.
  • Amigo: “Pode deixar irmão”.
  • Jordi: “Mas não sei quanto tempo vou ficar”.
  • Amigo: “Amo você”.
  • Jordi: “Se um dia eu chegar voltar”.
  • Jordi: “Cuida deles por mim. Amo você. Se cuida irmão”.
'Cuida da minha mãe', escreveu brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas a um amigo — Foto: Reprodução

‘Cuida da minha mãe’, escreveu brasileiro preso na Tailândia por tráfico de drogas a um amigo — Foto: Reprodução

Em um e-mail enviado à defesa da família, a embaixada brasileira na Tailândia informou que ele está detido no presídio de Samut Prakan, em condições adequadas de acordo com o padrão do país. A embaixada disse na mensagem que Jordi ainda não passou por uma audiência na justiça.

O texto diz ainda que, normalmente, os presos no país são autorizados a falar com familiares por meio de um aplicativo e que os familiares serão avisados quando for possível fazer contato, em horários autorizados pela polícia.

A família do paranaense informou que ele saiu de casa com somente uma mala e que esta mala citada não aparece nas imagens divulgadas pelas autoridades tailandesas, mas somente outra mala, que eles desconhecem a origem.

O advogado não sabe dizer se ele deixou a bagagem em algum local ou se as autoridades não fotografaram a mala vista pela família.

Cocaína estava escondida em compartimento oculto da bagagem dos brasileiros, segundo as autoridades tailandesas — Foto: RPC/Reprodução

Cocaína estava escondida em compartimento oculto da bagagem dos brasileiros, segundo as autoridades tailandesas — Foto: RPC/Reprodução

Primeiramente foram presos o homem, de 27 anos, e a jovem. Eles saíram de Curitiba e, após escalas, chegaram ao país em um voo, por volta das 7h de segunda-feira (14).

A droga foi encontrada com o homem e a jovem após a equipe do aeroporto desconfiar de itens mostrados no raio X.

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Os funcionários da alfândega revistaram as três malas dos passageiros e encontraram 9 quilos de cocaína. A droga estava escondida em um compartimento oculto.

Brasileiros presos na Tailândia: família teme punição com pena de morte

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Horas depois, as autoridades prenderam o jovem de Apucarana. Ele chegou ao aeroporto em outro voo. Jordi Vilsinski Beffa foi preso após os agentes encontraram

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O Itamaraty informou que está acompanhando a situação e que presta assistência aos brasileiros, mas não detalhou o que está sendo feito em relação ao caso. O órgão disse ainda que “em observância ao direito à privacidade”, não pode fornecer dados específicos sobre “casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros”.

A Polícia Federal (PF) informou que não foi comunicada oficialmente do fato e nem procurada pelos familiares dos presos.

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A Tailândia é um dos países onde o tráfico de drogas pode ser punido com pena de morte. O mesmo ocorre em outros países do Sudeste Asiático.

Em abril de 2015, o paranaense Rodrigo Gularte foi executado na Indonésia pelo crime de tráfico de drogas. Ele ficou 11 anos preso após ser flagrado no aeroporto com 6 quilos de cocaína revestidos em pranchas de surfe.

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Fonte: G1


24/02/2022 – Rota do Sol FM

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