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Passagem de ônibus em Curitiba: tarifa para usuários mais que dobrou em 10 anos


Usuários do transporte público de Curitiba enfrentaram dez reajustes na tarifa de ônibus nos últimos 10 anos. Neste período, o valor da passagem ficou nove vezes mais caro.

A passagem só ficou mais barata em 2013, após manifestações populares que ocorreram no país inteiro. No entanto, a queda foi menor do que a pedida pelos manifestantes.

A retirada da chamada tarifa domingueira, desconto na passagem aplicado aos domingos, em 2017, também marcou o transporte coletivo da capital na última década.

O reajuste mais recente foi anunciado nesta segunda-feira (28), com a tarifa subindo de R$ 4,50 para R$ 5,50. Também houve alguns reajustes no valor cobrado na Região Metropolitana de Curitiba. Veja:

Valor da passagem de ônibus em Curitiba

Em 10 anos, foram dez reajustes na tarifa

Fonte: Urbanização de Curitiba (Urbs) * o reajuste de 06/06/2015 afetou apenas usuários do cartão-transporte e derrubou desconto de R$ 0,15 na tarifa ao usar o meio de pagamento.

2012: de R$ 2,50 para R$ 2,60

No início de 2012, a tarifa custava menos da metade do valor atual.

Em fevereiro daquele ano, uma greve de motoristas e cobradores paralisou o transporte público na cidade. Os funcionários cobravam melhores condições de trabalho e reajustes no salário e no vale-alimentação.

Após um dia de manifestação, a categoria aceitou uma proposta salarial e encerrou a greve.

Porém, com os reajustes e, consequentemente, aumento nas despesas do sistema de transporte -segundo a prefeitura -, a tarifa paga pelos passageiros foi reajustada menos de um mês após o fim da paralisação.

2013: reajustes, divergências e protestos

Urbs discute reajuste da tarifa com empresas de ônibus em 2013

Urbs discute reajuste da tarifa com empresas de ônibus em 2013

No início de 2013, o governo estadual contribuía com um subsidio, que permitia à prefeitura de Curitiba cobrar um valor menor dos usuários. Entretanto, em março, foi anunciado o fim dessa contribuição.

Em contrapartida, o Governo do Paraná retirou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do diesel usado pelas empresas de ônibus. Porém, a prefeitura afirmou que a medida não seria suficiente para abater a perda do subsidio.

Nesse contexto de divergência, a tarifa subiu de R$ 2,60 para R$ 2,85.

Em maio daquele ano, o governo voltou atrás, e decidiu que continuaria pagando o subsídio. Mas, o valor da passagem não foi alterado.

Manifestantes protestaram em Curitiba em 2013 — Foto: Reprodução

‘Não é só por vinte centavos’

Meses depois, o país foi tomado por uma onda de protestos que pediam, entre outras reivindicações, a diminuição do valor cobrado na tarifa de ônibus.

Milhares de manifestantes se reuniram no Centro de Curitiba em junho solicitando que o último reajuste fosse revogado – isso representava uma queda de R$ 0,25 no valor.

Apesar da pressão popular, a prefeitura não atendeu ao pedido integralmente, mas reduziu a tarifa para R$ 2,70 após cortar gastos públicos.

Mais da metade das capitais brasileiras diminuíram o valor da passagem após as manifestações.

Manifestantes protestaram em Curitiba em 2013 — Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

Manifestantes protestaram em Curitiba em 2013 — Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

2014 e 2015: dois aumentos em três meses e queda de desconto

Em novembro de 2014 e fevereiro de 2015, dois reajustes fizeram a passagem ficar R$ 0,75 mais cara.

A primeira mudança foi de R$ 2,70 para R$ 2,85. A justificativa da prefeitura era a de que havia uma diferença grande entre o valor pago pelo usuário e o recebido pelas empresas de ônibus, a chamada tarifa técnica.

  • ENTENDA como é calculada a tarifa técnica do transporte público

Prefeitura e governo estadual arcam com essa diferença, que custava R$ 12 milhões por mês aos cofres públicos em 2014. O reajuste foi feito para diminuir despesas da administração municipal com o sistema de transporte.

Transporte público de Curitiba — Foto: Divulgação/TCE-PR

Transporte público de Curitiba — Foto: Divulgação/TCE-PR

Em 2015, o governo estadual, que bancava a maior parte deste subsídio (R$ 7,5 milhões mensais), propôs a redução da quantia paga pelo estado, mas a prefeitura recusou.

Após impasse com greves e negociações, a tarifa paga pelo passageiro foi reajustada para R$ 3,30. A contribuição do governo reduziu de R$ 7,5 milhões para R$ 7 milhões por mês em 2015.

Entre março e junho de 2015, pessoas que pagavam a tarifa com cartão-transporte tinham um desconto de R$ 0,15 por passagem. Porém, o benefício foi derrubado por uma medida judicial.

Cartão-transporte de Curitiba — Foto: Divulgação/Urbs

Cartão-transporte de Curitiba — Foto: Divulgação/Urbs

Entre o fim de 2015 e o início de 2016, empresas do transporte público atrasaram salários de funcionários, segundo sindicato que representa motoristas e cobradores. O impasse motivou duas greves em menos de um mês.

As empresas, por sua vez, diziam que a tarifa técnica estava defasada e cobravam da Urbs uma atualização do valor.

Os salários atrasados foram pagos com auxílio da prefeitura, e o valor da passagem foi reajustado de R$ 3,30 para R$ 3,70 em janeiro de 2016.

2017: R$ 4,25 e fim da tarifa domingueira

Desde 2005, Curitiba tinha a tarifa domingueira, que era um desconto no valor da passagem aos domingos. Esse beneficio foi extinto em 2017.

A medida tinha o objetivo de incentivar pessoas a irem em locais de lazer usando ônibus.

A tarifa domingueira custava R$ 1 quando foi instituída, mas foi reajustada ao longo dos anos até chegar a R$ 2,50.

A extinção do desconto se deu junto com um reajuste na tarifa para R$ 4,25, no mês de fevereiro.

Segundo a prefeitura, com o aumento foi possível implantar melhorias, como a renovação da frota, e equilibrar financeiramente o sistema.

2019: reajuste para R$ 4,50 e pandemia

Pandemia reduziu número de passageiros no transporte público da capital — Foto: AFP/BBC

Pandemia reduziu número de passageiros no transporte público da capital — Foto: AFP/BBC

A tarifa de ônibus em Curitiba subiu para R$ 4,50 em fevereiro de 2019 e não sofreu alteração por três anos.

Com a pandemia, houve uma queda no número de passageiros, e a prefeitura fez repasses emergenciais para garantir o equilíbrio financeiro do sistema.

A tarifa técnica, que era de R$ 5,30 em março de 2020, chegou ao valor de R$ 8,11 em agosto de 2021, e atualmente está em R$ 6,36.

  • Entenda como é calculada a tarifa técnica

Apesar de decretos limitarem a capacidade de pessoas dentro dos ônibus, usuários reclamavam que, com a frota reduzida, havia aglomerações.

2022: maior reajuste da década

O último reajuste ocorreu nesta segunda-feira (28). A tarifa aumentou de R$ 4,50 para R$ 5,50, um reajuste de 22%, o maior dos últimos 10 anos.

Junto com Brasília, Curitiba passa a ser a capital com a tarifa mais cara do país.

Conforme a prefeitura, o aumento dos custos com combustível e a queda no número de usuários foram dois dos principais motivos para o reajuste.

A prefeitura projeta que o transporte da capital tenha um déficit de R$ 157 milhões em 2022, e negocia subsidio entre prefeitura e governo para cobrir esse valor.

* Com colaboração de Lucas Ravel, assistente de produtos digitais do g1 Paraná.

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Fonte: G1


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