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Ucraniana que conseguiu sair do país dias antes da guerra encontra refúgio em Curitiba e ajuda parentes e amigos pela internet


Mais de um século depois de milhares de ucranianos desembarcarem no Brasil em busca de paz, Darina Konstantinova fez o mesmo caminho.

Ela tem 25 anos e é da cidade de Khmelnitski, a quase 350 quilômetros a oeste da capital Kiev. Com as notícias das tropas russas se aproximando, Darina viajou ao Paraná com medo dos ataques e está em Curitiba.

“Eu me sinto em casa, a gente pode se ajudar, nós vivemos a mesma realidade, a gente pode conversar e isso me ajuda muito neste momento, nesta situação que estou. (…) Na minha região há apenas ataques com bombas, do outro lado há tanques, bombas, militares. Dois dias depois que eu vim para o Brasil, as companhias aéreas começaram a cancelar voos porque estavam com medo de ataques da Rússia”, diz.

Ela é dançarina e coreografa e desde os 17 anos viaja o mundo trabalhando.

Os pais dela ainda estão na Ucrânia e, durante as ligações, ela costuma ouvir o sinal de alerta de bombardeio. Ouça mais acima.

A jovem conta que não tem sido fácil dormir.

“Eu estava falando com a minha mãe e toda ligação tem terminado com isso [sinal de alerta]. Eu digo: ‘mãe, tudo bem? Como está você?’, ela diz: ‘ah, desculpe’, e manda áudio do que está acontecendo. Agora, para mim, não é hora de ser fraca, porque eu consigo fazer alguma coisa. Às vezes eu tenho ataque de pânico, choro bastante, mas ao mesmo tempo e eu falo: ‘pare, com isso você não vai ajudar sua família'”, conta Darina.

Ucraniana que conseguiu sair do país dias antes da guerra encontrou refúgio em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Ucraniana que conseguiu sair do país dias antes da guerra encontrou refúgio em Curitiba — Foto: Reprodução/RPC

Em Curitiba, ela foi recebida pelos amigos dela, Lucas e Linda. Eles contam como ela recebeu a notícia dos primeiros ataques à Ucrânia.

“A princípio ela estava bem e, durante uma madrugada, o Lucas me acordou e falou: ‘ela está acordada, vai falar com ela porque eles invadiram'”, conta Linda.

“E aí ela não conseguiu mais dormir, foram dias e dias assim, até agora ela dormiu muito pouco. Fica acordada a madrugada inteira e usando a internet para ajudar as pessoas a se locomoverem, a saírem das suas cidades, buscarem refúgio em outros países”, complementa Lucas.

Darina tem mais de 300 mil seguidores em uma rede social e a mais de 11 mil quilômetros da cidade dela, tem ajudado parentes e amigos por meio da internet.

“Não tem como você achar um jeito de sair se tem bombas voando e você está em um abrigo de bombas sem internet. Eu conecto pessoas, procuro transporte, casa, abrigos para eles”, relata ela.

Darina tem ajudado parentes e amigos na Ucrânia por meio da internet — Foto: Reprodução/RPC

Darina tem ajudado parentes e amigos na Ucrânia por meio da internet — Foto: Reprodução/RPC

Darina diz que tem amigos russos nas redes sociais.

“Na Rússia, dizem que ucranianos estão atacando ucranianos, que não há problema, que militares estão indo para a Ucrânia para deixá-los livres do nazismo. (…) Quando mostro o que está acontecendo na internet, recebo centenas de mensagens de russos dizendo: ‘meu Deus, a gente não sabia disso'”.

Darina afirma que tem esperança que o conflito na Ucrânia termine e diz que quer ver o país dela em liberdade.

“No nosso hino há uma parte que diz: ‘nós colocaremos nossa vida e nossa alma pela liberdade’, isso que estamos fazendo, nós podemos morrer, mas morreremos livres”, completa.
Darina afirma que tem esperança que o conflito na Ucrânia termine — Foto: Reprodução/RPC

Darina afirma que tem esperança que o conflito na Ucrânia termine — Foto: Reprodução/RPC

Andrew Traumann, professor de Relações Internacionais, doutor em História e membro do Grupo de Estudos e Pesquisas do Oriente Médio (Gepom), explica que as tensões no leste europeu começaram ainda na década de 1990.

Para o professor, o estopim para a invasão foi a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que é uma aliança militar entre Estados Unidos e vários países da Europa, e a possibilidade da entrada da Ucrânia no grupo.

“Esse processo se acelerou muito a partir do 11 de setembro, durante o governo do presidente norte-americano George W. Bush, que estimulou essa expansão. A gente percebe como que a Rússia ficou geopoliticamente cercada. A questão da Ucrânia foi como se fosse uma linha vermelha”, explicou.

Traumann disse ainda que, na visão russa, Putin resolveu agir preventivamente, pois entende como inadmissível a entrada da Ucrânia na Otan, já que a Rússia passaria a estar cercada militarmente.

O professor também descarta a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, por causa do conflito. Para ele, os países da Otan não devem entrar em combate armado contra a Rússia.

“A Otan e os Estados Unidos não vão se arriscar em uma guerra por causa da Ucrânia. O uso de armas nucleares é um grande fator de dissuasão, porque ninguém quer pagar para ver”, disse.

Mapa mostra locais da Ucrânia que foram bombardeados em ataques da Rússia — Foto: Arte g1

Mapa mostra locais da Ucrânia que foram bombardeados em ataques da Rússia — Foto: Arte g1



Fonte: G1


07/03/2022 – Rota do Sol FM

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