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Mecabô e Deltan fazem dupla no NOVO para recuperar Paraná em Brasília

A dois dias das eleições, o candidato a deputado federal Henrique Mecabô (Novo) colocou a recuperação da representatividade política de Cascavel e do Oeste do Paraná em Brasília no centro de seu discurso. Em entrevista ao Estúdio CGN nesta sexta-feira (2), o economista de 30 anos e vice-prefeito licenciado de Cascavel também fez críticas à qualidade do fornecimento de energia pela Copel, defendeu mudanças na atuação regulatória sobre as distribuidoras e adotou um discurso contundente contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

A candidatura de Mecabô à Câmara dos Deputados pelo Novo, com o número 3009, consta nos registros eleitorais consultados para as eleições de 2026. Ele foi eleito vice-prefeito de Cascavel em 2024 e já havia disputado uma vaga de deputado federal em 2022.

Na entrevista, Mecabô afirmou ter percorrido mais de 16 mil quilômetros durante a construção de sua candidatura e disse ter passado por mais de 70 municípios desde o período pré-eleitoral. Para ele, Cascavel perdeu espaço político com a ausência de representantes da cidade exercendo mandato na Câmara dos Deputados.

“Precisamos retomar esse espaço lá porque é merecido pelo Oeste do Paraná.”

O candidato vinculou diretamente a falta de representação parlamentar à capacidade de Cascavel e da região de buscar recursos federais. Em um dos principais argumentos de sua campanha, afirmou que, de cada R$ 10 que saem do município em tributos, aproximadamente R$ 1,50 retornariam. O número foi apresentado pelo próprio candidato durante a entrevista.

Mecabô também assumiu um compromisso político: caso eleito deputado federal, afirmou que não pretende deixar o mandato para disputar a eleição municipal de 2028. Segundo ele, a prioridade seria permanecer em Brasília representando Cascavel e o Oeste.

Questionado sobre as recorrentes reclamações relacionadas a interrupções no fornecimento de energia na região, Mecabô defendeu maior pressão sobre a regulação federal do setor elétrico.

O candidato afirmou que pretende cobrar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) regras mais rígidas para responsabilizar a Copel por interrupções prolongadas. Ele citou os impactos tanto sobre moradores das áreas urbanas quanto sobre produtores rurais, especialmente atividades dependentes de fornecimento contínuo de energia.

“As pessoas ficam 24, 48 horas sem luz, sem banho quente em casa, com seus eletrônicos queimados e, no campo, nós temos perdido toneladas de proteína de frango, proteína de peixe. Isso é inaceitável.”

Ao tratar da estrutura da companhia, Mecabô disse ser favorável a privatizações, mas criticou o modelo adotado na Copel por considerar que não houve criação de concorrência no fornecimento ao consumidor.

A Copel deixou de ter acionista controlador em agosto de 2023 e passou a operar como uma corporação de capital disperso.

Energia solar e insegurança regulatória

A expansão da geração própria de energia também entrou na entrevista. Mecabô afirmou que agricultores e empresários passaram a investir em painéis solares e geradores como forma de reduzir a dependência da rede, mas destacou o custo desses investimentos e o que classificou como insegurança jurídica e legislativa para o setor.

Segundo ele, mudanças nas regras de geração distribuída dificultam decisões de longo prazo de consumidores e empresas.

“Ninguém sabe por quanto tempo vai ser mantido o incentivo e por quanto tempo vai ser estendido. Então essa insegurança jurídica […] chega aqui a nível local.”

Aeroporto, infraestrutura e saúde

Ao ser questionado sobre prioridades específicas para Cascavel, Mecabô apontou a ampliação da capacidade do aeroporto, investimentos em infraestrutura viária e os gargalos da saúde pública.

Para o candidato, não basta conseguir recursos para construir novas estruturas. Segundo ele, municípios também enfrentam dificuldades para manter equipes e contratar servidores necessários ao funcionamento dos serviços.

Mecabô usou essa discussão para voltar ao principal eixo de sua candidatura: a defesa de uma bancada regional mais numerosa em Brasília.

Menos impostos e burocracia

Na área econômica, o candidato defendeu simplificação tributária e redução da carga de impostos. Mecabô afirmou que empresas brasileiras gastam tempo excessivo cumprindo obrigações tributárias e sustentou que o Congresso precisa atuar tanto na definição dos impostos quanto na distribuição dos recursos arrecadados.

O discurso está alinhado às bandeiras econômicas defendidas pelo Novo e foi apresentado pelo candidato como parte de uma agenda voltada principalmente à atividade produtiva.

Mecabô endurece discurso contra o STF

O momento de maior tensão política da entrevista ocorreu no trecho dedicado ao Supremo Tribunal Federal.

Mecabô fez acusações graves contra integrantes da Corte e afirmou que o Congresso deveria adotar postura mais firme diante do Supremo. Também acusou políticos de utilizar emendas parlamentares e estruturas familiares de poder para preservar mandatos.

“Nós precisamos de um Legislativo que não seja covarde, que tenha condição moral de retomar essa normalidade constitucional lá em Brasília.”

Em outro momento, o candidato acusou ministros do STF de corrupção e fez referência a escritórios de advocacia ligados a familiares de integrantes da Corte. As acusações foram apresentadas por Mecabô sem individualização de ministros ou apresentação, durante a entrevista, de provas que permitissem à CGN verificar as imputações. Por essa razão, elas devem ser entendidas como declarações políticas do candidato, e não como fatos estabelecidos.

Dallagnol e a estratégia do Novo

Mecabô também destacou sua proximidade política com Deltan Dallagnol e disse acreditar na possibilidade de o Novo ampliar sua bancada paranaense na Câmara.

Segundo o candidato, sua estratégia eleitoral passa por consolidar votos no interior enquanto outros nomes da legenda concentram maior presença na Região Metropolitana de Curitiba.

Na reta final, Mecabô tenta apresentar sua candidatura como uma combinação entre renovação geracional, formação técnica e representação regional.

“Quero ser o melhor funcionário de Cascavel e do Oeste do Paraná lá em Brasília.”

Ao longo dos dez minutos de entrevista e do minuto destinado às considerações finais, o candidato voltou repetidamente ao mesmo argumento: Cascavel cresceu economicamente, mas precisa transformar esse peso econômico em maior influência política no Congresso Nacional.

eleições de 2026




02/10/2026 – Rota do Sol FM

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